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Amorosa voz da lágrima...
- Logo após delicadíssima cirurgia, o corpo da mulher jazia inerte, em coma induzido, visando melhores resultados... seguia na maca, inanimado, sendo levado ao Centro de Terapia intensiva...
- Duas jovens senhoras, presenciavam o corpo sendo transladado rumo à C.T.I., nem mesmo ouviram explicações do cirurgião precipitaram-se em julgar que o fim seria inevitável e que a recém operada, não resistiria e por certo morreria...
- Delicado momento, de dor e sofrimento capazes de embotar qualquer capacidade de raciocínio, mas o que se viu, foi algo ainda pior, justo enquanto por elas passava à maca, sobre a qual estava, em coma, a recém operada...
- Aquelas jovens que, havia muitos anos, não se falavam e até se evitavam, de repente iniciaram uma séria discussão sobre quem ficaria com esta ou aquela propriedade, sendo que tanto uma como a outra, preferia ficar com as duas!
- Acusações, ofensas, xingamentos e furiosos olhares, permearam as falas dessas jovens, até que, ao recordarem que havia um veículo da convalescente, extrapolaram todos os limites da racionalidade e engalfinharam-se em ferrenha luta corporal... no corredor do hospital...
- O chefe de enfermagem, que vinha à cabeceira da maca, imediatamente interveio e, a muito custo conseguiu separar as auto-agressoras, tendo mesmo que usar de força física, levando-as a observar no rosto da mãe inerte... uma silenciosa lágrima... a correr-lhe pela muda, imóvel e sofrida face...
- Um repentino choro, brusco e convulsivo tomou conta das duas filhas daquela mulher que, por toda vida, lutou para que elas estudassem, evoluíssem, prosperassem, constituíssem suas famílias, criassem seus filhos, e que havia dado tudo de si...
- Naquele momento, porém, como pessoas em coma ouvem, ela apenas ouvia, sem ter como reagir... sem nada poder fazer... sem nenhuma palavra conseguir dizer...
- Bastou uma diminuta gota, para fazer em pedaços, dois blocos de granito que havia no lugar dos corações daquelas filhas que, sem conseguir articular mais nenhuma palavra, apenas trocaram lacrimosos olhares enquanto abraçavam-se e beijavam-se chorando convulsivamente, vendo-se e sentindo-se enfim como verdadeiras irmãs, por terem “ouvido” a amorosa voz da lágrima materna, como se dissesse: “Amai-vos oh filhas, da mesma forma como eu as amei, amo e amarei.”
- Bastou a amorosa e silenciosa voz da lágrima materna, para falar muito alto... convincentemente, tocando muito profundo... tocando simultaneamente na mente e na alma e no coração, deixando-nos claro que, às vezes, é preciso um momento de extrema dor, para se poder sentir, compreender e aceitar a importância de se viver no amor!
Lauro Kisielewicz * 07/Maio/2.006
OBSERVAÇÃO:- Resumo de fato ocorrido no sul do Paraná, há poucos dias...
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